Introdução


         O Judo é uma arte marcial fundada em 1882 a.D.. Suas técnicas baseiam-se em agir com flexibilidade diante a uma força ofensiva, em outras palavras, é saber usar a força de um adversário contra ele próprio para poder perturbar seu equilíbrio, sendo este o princípio mais importante desta arte: "O conhecimento do equilíbrio, e como perturbá-lo, é o segredo do Judo". Hoje em dia, conhecido pelo mundo todo, o Judo é mais um esporte do que uma arte marcial, com fins muito mais voltados para disputa de competições, praticado por homens e mulheres de várias as idades, e é considerada única arte marcial disputada nas Olimpíadas.


As Origens


         Antes de saber como ou onde o Judo surgiu, é preciso saber como ele surgiu: por volta do séc. IV a. C., na Índia, berço das mais antigas civilizações e religiões, os monges que percorriam por longos caminhos perigosos precisavam muitas vezes se proteger de assaltantes armados que vagavam por esses caminhos. Como o porte de armas era considerado um atentório à moral da religião budista, esses monges criaram uma forma de defesa pessoal sem o uso de armas que foi denominada Jujutsu. Essa arte marcial foi uma espécie de semente para muitas outras artes marciais dos tempos de agora, sendo o Judô uma delas. O Jujutsu possuía várias "modalidades": projeções, atemi (golpes traumáticos), torções, pressões, e imobilizações. Com o passar do tempo, o budismo, e junto com ele o Jujutsu, foi sendo levado para o sul da China e à região do Himalaia, a partir daí, não é muito possível distinguir o que é lenda e o que é verdade a respeito da trajetória do Jujutsu até o Japão (país onde foi fundado o Judo).


"A lenda das Cerejeras e o Salgueiro"


         Entre estas lendas a respeito do Jujutsu, existe a "Lenda das Cerejeras eo Salgueiro", que conta que perto de Nagasaki (no Japão) vivia Shirobei Akiama, um médico e filósofo. Shirobei emigrou para China com o objetivo de buscar uma solução para os males humanos, através de uma melhor utilização do corpo e do espírito humanos. Lá ele aprendeu os princípios budistas, contudo, seus discípulos, desencorajados pelo fato de que a medicina chinesa era falha diante a uma doença demasiada grave, o abandonaram e Shirobei retirou-se para um templo onde impôs a ele próprio uma meditação de cem dias. Numa manhã nevada ele observou que os ramos de algumas cerejeiras dos jardins do templo se quebravam com o peso da neve, enquanto que os ramos de um salgueiro, por serem flexíveis, se curvavam com o peso da neve, porém, se livravam da mesma retornando à sua forma original. Foi então que Shirobei percebeu que ante a força, era preciso reagir com flexibilidade; com esses princípios formados, ele aperfeiçoou defesas e ataques e criou um arsenal de golpes.


A fundação do Judo


         A Chegada do Jujutsu ao Japão é explicada hoje em dia pelo intercâmbio marítimo entre a China e o mesmo. Desde este contato, o Jujutsu foi sendo praticado no Japão e, em 1877, com 17 anos, um jovem chamado Jigoro Kano (considerado fundador do Judô) começou a aprender os ensinamentos do Jujutsu. Por possuir um corpo não muito forte e grande, Jigoro Kano ficava maravilhado com o que ele podia realizar com aquele corpo que possuía usando as técnicas do Jujutsu durante um combate, por isso se interessou desde pequeno pela arte. Com o objetivo de achar explicações mais racionais e lógicas para as técnicas, ele selecionou as mais importantes técnicas das várias modalidades de Jujutsu, e criou através de regras, a noção de Ippon-Shobu que consiste na luta pelo ponto completo, que era uma visão de combate com fins muito diferentes da visão de Shi-Ken-Shobu abordada no Jujutsu, que consistia em lutar até a morte, pois para Kano, a atividade física deveria servir para a educação global dos praticantes e não com o único objetivo de obter-se uma vitória. Através de normas, Jigoro Kano tornou o aprendizado dessas técnicas muito mais fácil e racional, e por modificar o tradicional e antigo Jujutsu ele foi insistentemente desafiado pelos educadores da época, mas não mediu esforços para alcançar seus objetivos; a essa nova arte marcial, que na verdade é a junção de uma seleção de técnicas de modalidades diferentes do Jujutsu, Jigoro Kano deu o nome de Judo, que significa a doutrina, o caminho da suavidade (ju – suavidade, e do – caminho, doutrina). O Judô possui também, alguns mandamentos, dentre eles estão:


  • "Conhecer-se é dominar-se. Dominar-se é triunfar".
  • "Aquele que tem medo de perder, já está meio derrotado".
  • "Somente se aproxima da perfeição, quem a procura com constância, sabedoria e sobre tudo com humildade".

  •          Em 1882, Jigoro Kano abriu 1º Dojô e deu à sua escola o nome de Kodokan (Escola para o estudo da vida), onde ele, junto com seus alunos dedicou-se à elaboração de um novo método de ensino com golpes mais eficazes, técnicas de amortecimento de quedas (Ukemi) etc. Por tudo isso, Jigoro Kano foi considerado o fundador do Judo, que atravessou os limites do Japão e hoje é conhecido pelo mundo inteiro, seja como esporte ou arte marcial.



    Foto mais conhecida de Jigoro Kano


    Pontuação


             Nas competições de Judo são determinadas pontuações nos combates para que se possa ter um critério de avaliação:


  • Koka: Corresponde a uma pequena vantagem na pontuação, em outras palavras, é o ponto mínimo adquirido na luta. Pode-se obter um Koka na pontuação:

  • - Projetando-se o adversário ao solo agarrando-se em seus quadris;
    - Imobilizando o adversário por um período de 10 a 19 segundos.

  • Yuko: Corresponde a uma vantagem na pontuação, podendo ser adquirda:

  • - Projetando-se o adversário ao solo, utilizando uma técnica que execute um dos três elementos básicos para se obter um Ippon (pontuação máxima);
    - Imobilizando o adversário por um período de 20 a 24 segundos.

  • Wazari: Corresponde à metade de um Ippon (pontação máxima), em outras palavras, dois Wazaris finalizam a luta. Pode-se obter um Wazari na pontuação:

  • - Executando uma técnica com quase perfeição, isto é, projetando ao solo o adversário fazendo com que suas costas quase inteiras toquem no solo;
    - Imobilizando o adversário por um período de de 25 a 29 segundos.

  • Ippon: Corresponde a máxima pontuação, ou seja, ao término do combate; é o objetivo do judoca em uma luta. Para realizar um Ippon o atleta precisa:

  • - Projetar seu adversário ao solo fazendo com que seus dois ombros toquem ao mesmo tempo o solo, ou seja, fazendo com que suas costas inteiras toquem o solo; quando ocorre um Ippon a técnica utilizada é considerada "aplicada com perfeição";
    - Imobilizar o adversário num período de 30 segundos, levando-o à desistência ou à perda dos sentidos (desmaio);
    - Aplicar no adversário uma "chave de braço" ou estrangulamento bem sucedido, levando-o, obrigatoriamente à desistência (este tipo de técnica não pode ser aplicado em e/ou por crianças);
    - Realizar dois Wazaris no combate;
    - Ter o adversário desclassificado por violar as regras (punições).

             Se o tempo da luta acabar sem que nenhum dos oponentes tenha conseguido um realizar um Ippon, o arbitro dará a vitória ao lutador que tiver mais pontos acumulados.


             Existem também punições no caso da violação das regras do Judo:


  • Shido: Corresponde a um Koka;

  • Shui: Corresponde a um Yuko;

  • Keikoku: Corresponde a um Wazari;

  • Hanzou-Make: Corresponde a um Ippon.


  • Judo no Brasil


             Não se tem uma data muito precisa da vinda do Judo ao Brasil; Sabe-se, porém que por volta do ano de 1915, um grande mestre chamado Mitsuyo Maeda, que recebeu no México o apelido de Conde Koma, e que viajava pelo mundo fazendo demonstrações de Judô aos ocidentais, veio para o Brasil passar seus conhecimentos.


    Maeda (em pé à direita), ao lado dos seus primeiros alunos no Brasil


             Hoje em dia, mais de 2.000.000 de brasileiros praticam o Judo, tendo como exemplo o judoca Aurélio Miguel, que já conquistou vários títulos mundiais, como a Medalha de Ouro nos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988, a Medalha de Bronze nos Jogos Olímpicos de Atlanta em 1996, entre outros.



    Aurélio Miguel executando um Ippon no judoca Ricardo Sampaio


    Vicente Costa Nucci - Koga Kai Senpai - 6º Kyu


    Introdução


             O sentido literal dos kanji (caracteres japoneses) que formam a palavra “karate” é “mãos vazias”. Isto se refere ao simples fato de o karate surgiu como um sistema de autodefesa que confiava no uso eficaz do corpo de seu praticante. Este sistema era constituído por técnicas que bloqueavam ou impediam um ataque, e permitiam um contra ataque.


             A não agressividade do karate Shotokan se deve além de outras coisas, por possuir uma forte influência Zen-Budista. A meditação e os ensinamentos básicos do Zen estão fortemente presentes na conduta dos praticantes e por isso ele tem uma importância muito grande na formação do praticante. Isso pode ser visto claramente pelo fato de que as primeiras lições a serem aprendidas por um praticante podem ser resumidas em cinco palavras: caráter, sinceridade, esforço, etiqueta e autocontrole.


             As principais características do karate Shotokan são: posturas baixas e seus bloqueios amplos e poderosos. Seus golpes possuem base muito sólida e seus chutes tendem a ser mais baixos e fortes. É um estilo que exige bastante dedicação e esforço físico.


             O karate moderno foi desenvolvido a partir de uma completa organização e racionalização das antigas técnicas. Além disso, com essa organização, os ensinamentos físicos foram divididos em 3 ramos de acordo com seus objetivos: arte física, esporte e técnicas de autodefesa. Porém são todos baseados nas mesmas técnicas fundamentais.


             Como uma arte física, o karate é altamente dinâmico e faz um uso equilibrado de um grande número de músculos do corpo, desenvolve a coordenação e a agilidade e assim como qualquer atividade física melhora o físico e a saúde do praticante. Por isso muitas escolas do Japão estão promovendo como uma arte física entre os estudantes.


             As técnicas de autodefesa do karate têm uma historia muito antiga, que nos remete a centenas de anos, mas apenas recentemente elas foram estudadas cientificamente e alguns princípios foram desenvolvidos para que os movimentos variados do corpo fossem usados de forma mais eficaz. O treinamento baseado em tais princípios, o aprendizado do trabalho dos músculos e juntas e a relação vital entre o movimento e o equilíbrio permitem ao karateca estar tanto fisicamente como psicologicamente preparado para se defender.


             O karate como forma de esporte tem uma historia relativamente curta, pois não havia uma instituição que regulamentasse as regras dos campeonatos e os organizasse. Porém com a criação da Associação Japonesa de karate, estes problemas foram resolvidos e por causa da velocidade e variedade das técnicas do karate, muitas pessoas mostraram se interessadas nele e acreditasse hoje que esse esporte vai continuar a crescer em popularidade.


    Caio Ribeiro de Souza - Koga Kai Sensei - 2º kyu

    História


             Formas de autodefesa são, provavelmente, tão antigas quanto à raça humana. O Karate-Do assim como muitas das demais artes marciais atuais têm suas raízes mais remotas no século V e VI antes de Cristo, quando se encontram os primeiros indícios de lutas na Índia. Há cerda de 1400 anos, Daruma, também conhecido como Bodhidharma, fundador do Zen-Budismo, deixou o oeste da Índia, e atravessando as montanhas do Himalaia, cruzando rios e regiões completamente selvagens, chegou à China com o propósito de tornar conhecidos os textos do budismo.


             Na época, as estradas entre China e Índia, praticamente inexistiam, e as dificuldades que deviam ser vencidas eram imensas, só por isso já se pode imaginar a grande força física e espiritual de Daruma, que foram necessárias para superar os milhares de quilômetros da viagem. Anos mais tarde foi ele até o templo Shao-lin (Shorin-ji), na província de Hunan falar sobre o budismo a um grande número de discípulos.


             A lenda conta que quando ele chegou encontrou os monges do Templo numa condição de saúde tão precária, devido às longas horas que eles passavam imóveis durante a meditação, que ele imediatamente se preocupou em melhorar a saúde deles. O que ele ensinou foi uma combinação exercícios de respiração profunda, yoga e uma série de movimentos.


             Seus treinamentos eram intelectualmente muito rigorosos, o que deixava seus alunos prostrados de exaustão face à grande concentração que a Teologia exige. Daruma então, diante disso, criou um método de desenvolvimento físico e mental, dizendo: “Mesmo que tenha Buda pregado para a alma, o corpo e a alma são inseparáveis. Tenho notado que não estais conseguindo aperfeiçoamento em vossos treinamentos por causa da exaustão física. Por essa razão, dar-vos-ei um método com o qual podereis desenvolver vossa força física, capaz de fazer-vos captar a essência das palavras de Buda”.


             O método que ele criou está descrito no Ekkin-Kyo (Ekkin-Sutra). Com ele os monges puderam desenvolver-se física e espiritualmente, e conta-se que esses monges do templo Shao-lin ficaram conhecidos em toda a China por sua grande força e coragem. Mais tarde, depois de ser ensinado em muitos outros lugares, o método ficou conhecido com o nome do lugar de sua origem, e passou a chamar-se Shorin-ji Kempo. Foi esse método, que chegando às ilhas Ryukyu, deu origem ao Okinawa-te, arte marcial precursora do atual karate e de varias outras lutas.


             Infelizmente não há documentação que elucide com clareza esses fatos, nem datas exatas do aparecimento de suas origens, porem é certo que o karate existe em 0kinawa desde tempos muitos remotos.


             Sabe-se apenas que com o passar dos anos o Okinawa-te se dividiu basicamente em três lutas: Shuri-te, Tomari-te e Naha-te, que eram os nomes das cidades onde o Okinawa-te era mais praticado.Todas essas lutas têm influencia na existência do karate.


             Sakuqawa era um importante mestre de Shuri-te e ensinou a Sokon "Bushi" que por sua vez ensinou a Matsumura que ensinou a Motobu Choki e Anko Itosu (criou o estilo de karate denominado Shorin) e este ultimo, juntamente com Azato foi mestre de Funakoshi Guishin (criou o estilo Shotokan, que é o estilo de karate mais conhecido atualmente), além disso, ele teve como aluno Otsuka Hiriki (criou o estilo de karate chamado Wado Ryu em 1935). Já o Naha-te teve como um importante mestre Seisho Arakaki que ensinou a Kanryo Higaonna que por sua vez ensinou a Myagui Chogun (criou o estilo de Karate denominado Goju-Ryu em 1930) e este ensinou a Matsutatsu Oyama (criou o estilo de Karate denominado Kiokushinkai, ou Karatê de Contato). O Tomari-te teve só uma influencia indireta, pois como ele era mais popular que o Shuri-te e que Naha-te, acabou influenciando essas duas artes marciais.


             Há cerca de 500 anos atrás, depois que o famoso rei-herói Shao-Hashi uniu os territórios de Okinawa, foi proibido o uso de qualquer tipo de arma em seus domínios, e há cerca de 200 anos, foram confiscadas todas as armas, enquanto as ilhas Ryukyu voltavam as mãos do clã japonês Satsuma. Supõe-se que o desenvolvimento do Karate nas ilhas, com o intuito da autodefesa tenha recebido um grande impulso como resultado dessa dupla proibição: o não uso das armas, e seu confisco, e que, assim, tenha de desenvolvido como arte marcial em território Okinawano. Além disso, muitos grandes mestres, ao viajar inúmeras vezes por China e Okinawa, contribuíram para elevar o Karate ao presente nível.


    Caio Ribeiro de Souza - Koga Kai Sensei - 2º kyu

    Filosofias


             Como toda a luta, o Karate também tem suas regras de conduta, dentro e fora do dojô. Seguem abaixo os ensinamentos das três grandes filosofias que norteiam o karate e que devem ser absorvidos pelos praticantes de tal arte marcial.


    DOJO-KUN (Juramento e regras filosóficas no Dojô)


             Quando você lê o kun você provavelmente deve notar algo. Cada Linha começa com o numero 1 (Primeiro). Porque? Por que não 1, 2, 3, etc? Bem, o Mestre Funakoshi achou que nenhum item do kun fosse mais importante do que outro, por isso cada item foi numerado com 1. Você deve ler e estudar o kun, quanto mais você o faz, melhor o entenderá da próxima vez que lê-lo.


    HITOTSU: JINKAKU KANSEI NI TSUTOMURO KOTO.
    Primeiro: Esforçar-se para formação do caráter.


             Em qualquer academia os atletas cumprimentam-se com a expressão “OSS” que significa: aptidão, perseverança e resistência, qualidades que todos os seres humanos devem procurar adquirir para sua formação física e espiritual. Estas qualidades são fundamentais para combater com sabedoria e também para saber vencer as adversidades da vida. Não deve o Karateca iludir-se com alegrias momentâneas, mas sim desenvolver a aptidão e a resistência para a prática do Karate e sua vida pessoal.


    HITOTSU: MAKOTO NO MICHI WO MAMORU KOTO.
    Primeiro: Fidelidade para com o verdadeiro caminho da razão.


             Um provérbio japonês diz: "A gratidão e o reconhecimento são mais altos que a montanha e mais profundas que o mar" O sentimento de sinceridade deve atingir um grau quase inexplicável. Seria como a essência do sentimento dos pais para com os filhos. O reconhecimento íntimo desta renúncia e dedicação é a consciência mútua da intensidade destes sentimentos. Identificando este sentimento de sinceridade procurar divulga-lo às nossas amizades, fazendo brotar em cada um a semente do verdadeiro calor humano.


    HITOTSU: DORYOKU NO SEISHIN O YASHINAU KOTO.
    Primeiro: Criar o intuito de esforço.


             Em todos os esportes, principalmente nas artes marciais, é preciso dedicação que é a mola propulsora da continuidade e da perseverança. O Karate, também necessita de concentração e determinação, a ponto de se captar os mais leves movimentos do adversário, mesmo em piscar de olhos; principalmente à espera do ataque e do momento exato de contra-atacar, para tanto se exige do Karateca muito treinamento.


    No Karate é fundamental a harmonia entre corpo e espírito e que eles estejam sempre aliados à técnica. Só se consegue a perfeita harmonia empenhando-se ao máximo, Esta harmonia tem como finalidade à formação do ser humano. Tudo que se queira alcançar, seja tanto no dojô quanto na vida pessoal, exige muito empenho, liberando toda a energia acumulada na consecução do objetivo almejado.


    HITOTSU: REIGI O OMONZURU KOTO.
    Primeiro: Respeitar acima de tudo.


    HITOTSU: KEKKI NO YU O IMASHIMURU KOTO.
    Primeiro: Reprimir o espírito de agressão.


    NIJU-KUN (20 ensinamenos do mestre Gichin Fukanoshi)


    Obs: Mestre Gichin Fukanoshi dizia que todos os itens tem igual importância, assim como no dojô-kun.


  • KARATEDO WA REI NI HAJIMARI REI NI OWARU KOTO WASURUNA
    Não se esqueça que o Karate deve iniciar com saudação e terminar com saudação.

  • KARATE NI SENTE NASHI
    No Karate não existe atitude ofensiva.

  • KARATE WA GI NO TASUKE
    O Karate é um assintente da justiça.

  • MAZU JIKO WO SHIRE SHIKOSHITE TAO WO SHIRE
    Conheça a sí róprio antes de julgar os outros.

  • GIJUTSU YORI SHINJUTSU
    O espírito é mais importante do que a técnica.

  • KOKORO WA HANATAN WO YOSU
    Evitar o descontrole do equilíbrio mental.

  • WASAWAI WA GETAI NI SHOZU
    Os infortúnios são causados pela negligência.

  • DOJO NO MI NO KARATE TO OMOUNA
    O Karate não se limita apenas à academia.

  • KARATE NO SHUGYO WA ISSHO DE ARU
    O aprendizado do Karate deve ser perseguido durante toda a vida.

  • ARAI YURU MONO WO KARATEKE SEYO SOKO NI MYOMI ARI
    O Karate dará frutos quando associado à vida cotidiana.

  • KARATE WA YU NO GOTOSHI TAEZU NETSUDO WO ATAEZAREBA MOTO NO MIZUNI KAERU
    O Karate é como água quente. Se não receber calor constante torna-se água fria.

  • KATSU KANGAE WA MOTSUNA MAKENU KANGAE WA HITSUYO
    Não pense em vencer, pense em não ser vencido.

  • TEKI NI YOTTE TENKA SEYO
    Mude de atitude conforme o adversário.

  • TATAKAI WA KYOJITSUNO SOJU IKAN NI ARI
    A luta depende dos manejos dos pontos fracos (kyo) e forte (jitsu).

  • HITO NO TEASHI WO KEN TO OMOU
    Imagine que os menbros de seus adversários são como espadas.

  • DANSHIMON WO IZUREBA HYAKUMAN NO TEKI ARI
    Para cada homem que sai do seu portão, existem milhões de adversários.

  • KAMAE WA SHOSHINSHA NI ATO WA SHIZENTAI
    No início seus movimentos são artificiais, mas com a evolução tronam-se naturais.

  • KATA WA TADASHIKU JISSEN WA BETSUMONO
    A prática de fundamentos deve ser correta, porém na aplicação torna-se diferente.

  • CHIKARA NO KYOJAKU KARADA NO KANKYU WAZA NO SHINSHUKU WO WASURUNA
    Não se esqueça de aplicar corretamente: alta e baixa intensidade de força, expansão e contração corporal, técnicas lentas e rápidas.

  • TSUNE NI SHINEN KUFU SEYO
    Estudar, praticar e aperfeiçoar-se sempre.

  • BUDO


             A filosofia do Budo se traduz pela busca constante do aperfeiçoamento, autocontrole e na contribuição pessoal para a harmonização do meio onde se está inserido.


             A famosa expressão do Mestre Funakoshi - "karatê Ni Sente Nashi" - explica claramente o objetivo do karate, ou seja, conter, controlar o espírito de agressão. O karate se caracteriza por procedimentos de respeito e de etiqueta. Esse propósito de "antiviolência" pode ser muito bem expresso através do seguinte ensinamento:


    "Se o adversário é inferior a ti, então por que brigar?
    Se o adversário é superior a ti, então por que brigar?
    Se o adversário é igual a ti, compreenderá, o que tu compreendes... então não haverá luta.
    Honra não é orgulho, é consciência real do que se possui."


             A filosofia do Budo sempre deu muita importância à percepção e à sensibilidade, uma vez que as técnicas que nela se baseiam, visam essencialmente: • À conquista da estabilidade e da autoconfiança, através de treino rigoroso e vida disciplinada; • Ao desenvolvimento da intuição, no sentido de perceber o ataque do adversário antes mesmo do início do seu movimento e da capacidade de analisar o adversário, para prevenir-se contra surpresas; • À formação de hábitos de saúde, como o uso da meditação Zen e a respiração do diafragma.


    Caio Ribeiro de Souza - Koga Kai Sensei - 2º kyu

    Biografia de Gichin Fukanoshi


             Introdutor do karate em Honshu (território central do Japão) Gichin Fukanoshi assume-se historicamente como o primeiro e mais importante divulgador do To-de (arte oriunda do Okinawa-te) no Japão, recebendo por esse fato o nome de "pai do Karate-do".


             Em Novembro de 1868, no ano da restauração Meiji,nasce Gichin Funakoshi em Shuri, Okinawa. A família Tominakoshi (designação formal da família) possui o título Shizoku ("pequena aristocracia") e Gichin é neto de um confucionista que ensinara membros da família real - Gisu Tominakoshi. Tendo nascido como prematuro Gichin tem uma saúde débil por toda a infância.


             Em 1880 começa a praticar To-de em Okinawa, sob a orientação de Yasutsune Azato pai de um seu colega de escola. A carta de recomendação do jovem é entregue a Azato por seu avô Gisu Tominakoshi. O médico da família - Tokashiki - apóia esse procedimento, como método de reforço da saúde do jovem. É provável que Funakoshi, antes de se tornar discípulo de Azato, tenha estudado durante um curto período com Taitei Kinjo, conhecido como "punho de ferro" pela sua capacidade de derrubar um touro com um único murro. Funakoshi posteriormente conhece e treina com outros mestres, tais como: Yasutsune Itosu, Sokon Matsumura, Kanryo Higaonna, Kiyuna, Toono (originário de Naha) e Niigaki.


             Aos 20 anos, em 1888, Funakoshi obtém aprovação nos exames para professor primário, profissão que exercerá até 1921 (sem que lhe tenha sido jamais registrada uma falta por doença).


             Em 1902 lidera uma demonstração de To-de perante Shintaro Ogawa, comissário escolar, contribuindo para o reforço do ensino da disciplina nos liceus da região. E em 1903 apresenta o primeiro programa pedagógico para a prática de To-de nas escolas de Okinawa.


             Em 1906 morre um dos seus grandes Mestres - Yasutsune Azato. No mesmo ano Gichin Funakoshi organiza a primeira exibição pública de To-de em Okinawa. Nasce o seu terceiro filho Yoshitaka (ou Gigo).


             Em 1912 militares da Marinha Imperial Japonesa são mandados a Okinawa para aprender To-de e treinam sob a orientação de Gichin Funakoshi.


             Em 1913 Gichin Funakoshi organiza uma equipe de demonstrações de To-de que, nos dois anos seguintes, realizará centenas de exibições perante milhares de espectadores por todo o território de Okinawa. Neste grupo estão presentes personalidades que posteriormente vão tornar-se famosas no panorama do Karate, tais como: Choki Motobu, Chotoku Kyan e Kenua Mabuni (criou o shitoryu em 1936).


             Em 1915 morre o segundo principal Mestre de Funakoshi - Yasutsune Itosu.


             Em 1917 no Botoku-den de Kyoto efetua-se a primeira demonstração de To-de fora de Okinawa, a qual é liderada por Gichin Funakoshi.


             Em 6 de Março de 1921 o príncipe herdeiro Hirohito assiste a uma demonstração de To-de liderada por Gichin Funakoshi no grande hall do Castelo de Shuri. Chojun Miyagi (que criou o Goju Ryu em 1930) participa igualmente nesta demonstração.


             Ainda no mesmo ano Funakoshi funda e passa a presidir a Shobukai de Okinawa (Associação para a Promoção do Espírito das Artes Marciais de Okinawa). Em conseqüência resigna à sua profissão de professor.


             Em 1922 Jigoro Kano faz a sua primeira visita oficial a Okinawa, onde com um discurso acerca do Budo japonês, inspira os praticantes locais de To-de a conhecer a sua arte.


             Nesse mesmo ano, em 1º de Abril, o Ministério da Educação organiza a "Primeira Exibição Atlética Nacional" em Tóquio onde se exibem diversas artes marciais. O To-de é uma das artes convidadas e Gichin Funakoshi é escolhido, pelos diversos peritos de Okinawa, para liderar a demonstração, a qual constitui a primeira apresentação pública de To-de ao público de Tóquio.


             Em 17 de Maio, na seqüência da exibição pública de To-de, Gichin Funakoshi realiza, a convite de Jigoro Kano, uma demonstração no Kodokan. Nessa demonstração Funakoshi solicita ao seu discípulo Shinken Gima que demonstre o kata Naihanchi (mais tarde denominado Tekki). Nesta ocasião Funakoshi fabrica com as suas próprias mãos, para si e para o seu discípulo os primeiros passos do karate, inspirados no Judo-gi.


             Em Junho Gichin Funakoshi publica um artigo sobre To-de no jornal Tokyo Nichinichi. É o primeiro artigo publicado sobre esta arte fora de Okinawa, as primeiras aulas são dadas aos membros do Tabata Popular Club e a primeira escola é aberta no Meisei Juku, que era um dormitório para estudantes originário de Okinawa situado no bairro Suidobata em Tóquio.


             Ainda no mesmo ano a editora Bukyosha traz a público o primeiro livro de Gichin Funakoshi: “Ryu-kyu Kempo: To-de". O artista Hoan Kosugi desenha, para a capa do livro, o famoso "Tigre" que posteriormente torna-se o símbolo da arte de Funakoshi.


             Ainda no ano da sua chegada a Tóquio, Funakoshi recebe um aluno muito especial: trata-se de Hironori Ohtsuka, na altura já um experiente praticante de Ju-jutsu com 17 anos de prática. Tinha ouvido falar de Gichin Funakoshi, procurara-o, e decide tornar-se seu discípulo. Ohtsuka (criou o wado-ryu em 1935) praticará sob a orientação de Funakoshi durante os próximos nove anos.


             Em 1923 as instalações do Meisei Juko, onde Gichin Funakoshi reside, trabalha e dá aulas, são destruídas por um enorme terremoto.


             Em 1924 Yoshitaka (Gigo) Funakoshi vai viver para Tóquio e passa a morar com seu pai. Embora praticante de To-de Yoshitaka (Gigo) Funakoshi dedica apenas parte do seu tempo à prática já que estuda no laboratório de radiologia da Universidade de Tóquio, aonde virá a obter o diploma de "Técnico de Radiologia", passando então a trabalhar nesse mesmo local e no Ministério da Educação.


             No mesmo ano, Hakudo (Hiromichi) Nakayama (o fundador do moderno Iai-do) ao tomar conhecimento que Funakoshi não tem onde dar aulas oferece-lhe os horários livres do seu dojo de kendo, situado em Kyobashi, Tóquio. Funakoshi adota então um esquema de graduações (kyu, dan) semelhante ao do Kodokan. Todos os karatecas usam agora o karatê branco (semelhante ao judo-gi, porém mais ligeiro) que Funakoshi introduzira pela primeira vez na demonstração no Kodokan em 1921. Os dan's passam a usar cinto negro. É fundado o primeiro clube universitário na universidade de Keiho (a convite do professor Shinyo Kasuya, do Departamento de Línguas Germânicas).


             Em 1925, Funakoshi começou a pegar alunos dos vários colégios e universidades na área Metropolitana de Tokyo e nos anos seguintes esses alunos começaram a fundar seus próprios clubes e a ensinar karate a estudantes destas escolas. Como resultado, o karate começou a se espalhar por Tokyo. No início da década de 30 havia clubes de karate em cada universidade de prestígio de Tokyo. Mas por que estava Funakoshi conseguindo tantos jovens interessados em karate desta vez? O Japão estava fazendo uma Guerra de Colonização na Bacia do Pacífico. Eles invadiram e conquistaram a Coréia, Manchúria, China, Vietnã, Polinésia, e outras áreas. Jovens com idade de irem para a guerra vinham a Funakoshi para aprender a lutar, assim eles poderiam sobreviver ao recrutamento nas Forças Armadas Japonesas. O seu número de alunos aumentou bastante.


             Em 1926 Gichin Funakoshi publica, através da Editora Kobundo, uma segunda edição do seu primeiro livro, desta vez sob a designação de: "Rentan Goshin To-de Jutsu" (as "placas de impressão" originais do seu primeiro livro tinham sido destruídas no terremoto de 1923).


             Em 20 de Março de 1928 Gichin Funakoshi realiza uma demonstração de To-de no Sainei-kan do Palácio Imperial, em Tóquio.


             Ainda em 1928 recebe a visita de Kenwa Mabuni, e no ano seguinte de Chojun Miyagi, que efetuam as suas primeiras viagens a Tóquio. Na altura Funakoshi tem já 61 anos e Miyagi surpreende-se com as condições extremamente modestas em que o encontra.


             No início da década de 30 assiste-se à abertura de clubes de To-de em várias universidades: Takushoku, Chuo, Shodai (agora chamada Hitotsubashi), Waseda, Hosei, Gakushuin, Nihon e Meiji. Gigo Funakoshi começa, a pedido de seu pai, a tomar alguma liderança das aulas de karatê nas universidades, especialmente em Waseda.


             Dentre os inúmeros discípulos de Funakoshi que aderem ao estudo da arte de Okinawa há a destacar dois nomes e duas datas: Shigeru Egami que começa a treinar em 1931 na Universidade de Waseda, ajudando a fundar o Clube de karatê local e Masatoshi Nakayama que inicia a sua prática em 1932 enquanto aluno da Universidade de Takushoku


             Por certo nesta data Gichin Funakoshi terá tido também os primeiros contactos com Morihei Ueshiba, quer freqüentando alguns dos seus Seminários especiais, quer trocando opiniões pessoais com este acerca da essência do Budo.


              Em 1933 Gigo Funakoshi passa a dar mais ênfase à prática do combate no karatê, criando o Kihon Ippon Kumite.


             Em 1934 os alunos de Funakoshi sob a orientação de Takeshi Shimoda - considerado o seu mais talentoso estudante e conhecedor de Kendo e Ninjutsu (escola Nen Ryu) - realizam uma digressão pela área de Kyoto-Osaka e pela ilha de Kyushu. Logo após a digressão Shimoda contrai uma pneumonia e, pouco dia depois vem a falecer. Após a morte de Takeshi Shimoda, Gichin Funakoshi nomeia como principal assistente seu filho Gigo Funakoshi, que, entretanto obtivera o título de Renshi da Butokukai.


             Ainda no mesmo ano Gigo Funakoshi introduz o Jiyu Ippon Kumite (kumite semilivre). Hironori Ohtsuka abandona o grupo de Funakoshi, abre um dojo em Tóquio e começa a ensinar a sua arte conciliando a atividade pedagógica com a sua profissão de médico. O tipo de prática que propõe incorporando exercícios de combate e técnicas de Ju-jutsu - constitui uma alternativa ao método de Gichin Funakoshi. Gera-se a primeira cisão na prática do karate, havendo vários grupos universitários que aderem ao método de Ohtsuka, que em breve será denominado Wado-ryu.


             Em 1935 Kichinosuke Saigo, importante figura política da época e um dos mais antigos alunos de Gichin Funakoshi, cria um comitê que se propõe, como primeira tarefa, a construção do primeiro dojo de karate no Japão. Esse comitê é considerado o embrião da Associação Shoto (Shotokai).


             Nesse mesmo ano Gichin Funakoshi publica a sua obra fundamental "karate Kyohan" (conhecida internacionalmente como "O Texto do Mestre"). Nessa obra Funakoshi propõe oficialmente a modificação do kanji "To" - associado à dinastia chinesa Tang, e que significa "antigo" - pelo Kanji "Ku" que significa "vazio". Uma vez que ambos os Kanji também se podem pronunciar "Kara" a forma verbal continua inalterada. Karate deixa então de significar "a mão antiga" ou "chinesa" e passa a ser conhecido como “mãos vazias”.


             Ainda em 1935 Gigo Funakoshi introduz a prática do Jiyu Kumite ("kumite livre") e, com o apoio de Shigeru Egami e Genshin Hironishi, entre outros, desenvolve novas técnicas de pernas como: Yoko Geri (Kekomi e Keage), várias formas de Mawashi-Geri, Fumikomi e Ushiro-Geri. As posições de base tornam-se mais baixas que as tradicionais.


             Na Primavera de 1936 o recolhimento de fundos iniciado no ano anterior por Kichinosuke Saigo dá os seus frutos e o dojo de Funakoshi começa a tornar-se uma realidade, ali se realizando desde logo as primeiras aulas. Na porta de entrada é colocada uma placa com o nome "Shotokan" a "casa de Shoto", designação escolhida pelos alunos de Gichin Funakoshi em homenagem ao Mestre, que costumava assinar os seus poemas com o pseudônimo "Shoto" (literalmente: "ondulação dos pinheiros") que ia escrevê-los, se recolhia em um lugar mais afastado, onde pudesse buscar inspiração, ouvindo apenas o barulho do pinheiros ondulando ao vento.


             Em 1 de Março de 1938 conclui-se a construção do dojo Shotokan. Com a materialização do Shotokan, corporiza-se o "espírito do grupo" criado em 1935 por Kichinosuke Saigo para o desenvolvimento dos ideais de Gichin Funakoshi. Esse grupo designado Shotokai - Associação Shoto - passará a ser, por assim dizer, a "alma" do Shotokan - a Casa de Shoto.


             Em 1939 Gichin Funakoshi e Kenwa Mabuni inscrevem as suas respectivas escolas de karatê no Butokukai. Após se terem submetido a exame, na mesma sessão, é lhes concedido o grau Renshi.


             Funakoshi tinha 71 anos em 1939, e foi quando ele deu o primeiro passo dentro de um Dojo de karate em 29 de Janeiro. O prédio foi feito de doações particulares. Esse nome dado ao Shotokan karatê Dojo foi uma homenagem de seus alunos.


             Em 1940 Gichin Funakoshi proíbe os seus alunos de executarem Jiyu Kumite ("combate livre") por verificar que, em parte devido ao fervor nacionalista e também pelo desejo de competição, essa prática induz a um espírito de violência contrário à essência do Budo.


             Em Dezembro de 1943 Gichin Funakoshi publica "karatê Nyumon". Crê-se que o seu filho Yoshitaka Funakoshi tenha colaborado ativamente com seu pai na elaboração da parte técnica do livro, juntamente com Wado Uemura e Yoshiaki Ayashi.


             O ano de 1945 vai revelar-se um ano terrível para Gichin Funakoshi. Em 10 de Março entre as 2 e às 3 da manhã o Shotokan e a residência anexa da família Funakoshi, anexa ao dojo, são destruídos durante os bombardeios de Tóquio. Gichin Funakoshi é acolhido pelo filho mais velho Yoshihide, passando a residir na casa deste situada no bairro Koishikawa em Tóquio.


             No final desse ano Gigo Funakoshi morre na seqüência de uma prolongada doença pulmonar. O funeral ocorre a 24 de Novembro.


             A esposa de Gichin Funakoshi que lograra sobreviver à destruição de Okinawa, deixa a sua região natal e reúne-se ao marido em Oita, Kyushu, onde passam a viver em condições muito difíceis.


             No final do Outono de 1947 a esposa de Gichin Funakoshi morre devido a uma crise de asma. Logo após, Funakoshi regressa a Tóquio, voltando para casa do seu filho mais velho Yoshihide. Durante a longa viagem Funakoshi recebe ovações de alunos que o esperam em muitas das estações onde o comboio pára. Encorajado pelos discípulos organiza, ainda em 1947, uma grande demonstração de karate em Tóquio.


             Em 1 de Maio de 1949, pelas 18 horas no Iomiuri Shibum Hall, é criada a Nihon karatê Kyokai (conhecida internacionalmente por Japan karatê Association ou pela sigla: JKA).


             Em 1951 e apesar da idade avançada (mais de 80 anos) Gichin Funakoshi continua a ensinar, quase exclusivamente Kata, nas universidades de Waseda, Keio, Hosei, Chuo, Hitotsubashi e Gakushin e, ainda, no Colégio Japonês de Medicina, Colégio Nacional de Educação Física (Nikaido) e nas Academias Naval e Militar.


             Em 13 de Outubro de 1956 Gichin Funakoshi termina o Prefácio da segunda edição de karate Kyohan, lamentando-se do "quase irreconhecível estado espiritual a que chegou o mundo do karate atual" e apela a quem possa "compreender os seus anseios profundos (...) de forma a completar os objetivos do trabalho".


             Isao Obata, Hiroshi Noguchi, Genshin Hironishi e outros "homens de confiança" de Gichin Funakoshi, provenientes da "linha tradicional" do karate, abandonam a JKA. Com o apoio do próprio Gichin Funakoshi, que assume a presidência da organização, e de Shigeru Egami, o mais próximo discípulo de Funakoshi nos últimos anos de vida, formalizam a Nihon karate Shotokai.


             Em 26 de Abril de 1957 morre Gichin Funakoshi na cidade de Tokio, Japão. O filho primogênito, Yoshihide, decide organizar o funeral com o apoio da Nihon karate Shotokai e dos amigos mais próximos da família Funakoshi, nomeadamente: Shigeru Egami (que estivera, conjuntamente com a família, junto ao leito do Mestre quando este exalara o último suspiro), Genshin Hironishi e Motohiro Yanagisawa.


             A JKA discorda da decisão de Yoshihide Funakoshi e afirma recusar-se a participar no funeral de Gichin Funakoshi caso não lhe seja permitido organizar o funeral. Promove-se uma reunião de emergência entre a Nihon karate Shotokai e a Nihon karate Kyokai (JKA). Não tendo sido possível consenso entre ambas as partes, concluiu-se que a decisão de participação no funeral de Mestre Funakoshi competirá à consciência pessoal de cada um dos seus alunos.


             No dia do funeral de Gichin Funakoshi verifica-se que apenas comparecem os grupos universitários ligados ao Shotokai, que eram: Chuo, Senshu, Toho, Gakushuin e Tokyo Noko. O grupo universitário de Waseda hesita, mas acaba por participar (por insistência do Presidente da Universidade, Dr. Nobumoto Ohama, que era um amigo e conterrâneo de Funakoshi). Infelizmente a grande maioria dos alunos de Gichin Funakoshi, especialmente os mais ligados a JKA, não comparecem ao funeral do Mestre.


             Em Junho desse mesmo ano a JKA organiza no maior espaço coberto japonês para a prática desportiva, o Ginásio Metropolitano de Tóquio, o primeiro “All Japan karate Championship Tournament”, que se trata da primeira competição pública de karate no Japão.


    Caio Ribeiro de Souza - Koga Kai Sensei - 2º kyu

    Princípios Essenciais


             A extraordinária força mostrada por muitas técnicas individuais do karate, tanto ofensiva quanto defensiva, não são originárias de coisas místicas ou esotéricas. Ao contrario, isso é o inevitável resultado da efetiva aplicação dos princípios do movimento do corpo que foram cientificamente estudados. Da mesma forma o conhecimento dos princípios psicológicos, com a constante pratica, permitem ao Karateca achar aberturas e executar a técnica certa no momento certo não importando o tempo de movimento do seu oponente. Além disso, num nível avançado é possível um karateca saber o movimento do seu oponente antes deste deferir o ataque.


             Após aprender as varias técnicas individuais é necessário superar as dificuldades de interpretar os complicados processos físicos e psicológicos com apenas alguns princípios, para que se possa ter um claro entendimento da combinação desses princípios físicos e psíquicos, que é à base de tudo. Princípios Físicos:


             Qualquer movimento do corpo depende de contrações e extensões musculares. Existem muitos fatores envolvidos em exercer a força máxima através do controle dessas expansões e contrações musculares. Alguns deles estão descritos aqui.


             Força é diretamente proporcionada pela contração e expansão muscular. Esse é o principio por trás, por exemplo, do salto, quanto mais pressionado o músculo estiver, maior será a altura atingida no momento em que o músculo for liberado. Muitas partes do corpo humanas operam da mesma forma.


             O poder da força é inversamente proporcional ao tempo requerido para a aplicação dela, isso significa que no karate não é a força muscular usada para quebrar um objeto duro que é requerida, mas a força manifestada em termos de velocidade da contração e extensão muscular. Em outras palavras, força é acumulada na forma de velocidade e no final do movimento a velocidade é convertida para força novamente. Concentração de força:


             Para fazer qualquer tipo de trabalho físico pesado é necessário concentração de força. Uma grande força poderá ser inútil se não for usada da forma correta, da mesma forma, uma pequena força quando concentrada pode realizar coisas difíceis. Não é exagero dizer que a pratica da maioria das técnicas do karate utilizam-se da concentração de força. Esta técnica pode ser mais facilmente entendida analisando-se os seguintes princípios:


             Num curto tempo a força é ampliada e produz um maior efeito. Esse elemento de concentração em função do tempo é muito importante no karate por possibilitar que o praticante avance para a próxima técnica.


             O impressionante número de músculos usado em alguns movimentos traz uma grande concentração de força. A força que os ataques de mãos e pés sozinhos podem exercer é realmente pequena, portanto o poder muscular de todo o corpo deve ser exercido para que uma grande força seja concentrada no ponto de impacto.


             Máxima concentração de força corporal depende da efetiva utilização da força conjunta de vários músculos do corpo. Quando os músculos estão propriamente coordenados, o resultado é incrível.


             Concentração de força não depende da contração simultânea de todos os músculos do corpo, mas da utilização deles na ordem correta. Os músculos do abdômen e da região pélvica são fortes, porém muito lentos, enquanto os músculos das extremidades são rápidos, porém fracos. Para concentrar a força, os dois tipos de músculos devem ser usados, primeiros os do abdômen e da região pélvica, que devem transferir força para as extremidades que serão usadas em seguida e essa força deve ser transferida para o ponto de impacto. No karate move-se primeiro a cintura e depois os pés e as mãos. Usando a força de reação:


             O principio físico de que para toda força há uma reação de sentido contrario e de mesma intensidade também é usado no karate. Quando uma mão é trazida a cintura ela dá força para a outra golpear. Correr e pular são possíveis pressionando de forma descendente a pé oposto e isto é uma característica importante do karate.


             O uso do controle da respiração também é praticado, todo mundo sabe que soltar o ar tende a contrair os músculos, e por isso no karate o ar é exalado durante a aplicação das técnicas e inalado após o seu termino. Princípios Psicológicos:


             Como o karate envolve contato direto entre duas pessoas, fatores psicológicos também são importantes. Muitas vezes quem está mais forte psicologicamente ganha de quem não está psicologicamente preparado. Apesar desse psicológico ser mais natural quando se treina karate, pode-se chegar a uma maior força psicológica somente conhecendo as teorias desse treinamento. Combinando princípios físicos e psicológicos:


             Muitas vezes no karate é usada não apenas a concentração física, mas também a mental, e ambas devem ser utilizadas para formar a energia do corpo ao atingir o objetivo. Para uma maior eficiência todas essas técnicas devem ser usadas simultaneamente, ou seja, na hora de dar um soco, a utilização da cintura, do movimento dos braços, a transformação de velocidade em força, o ato de exalar o ar para contrair os músculos e a concentração para focar toda a força em um só ponto do alvo é o que ao ser realizado no tempo certo, torna a ataque forte.


             Porém é necessário lembrar que após o golpe ser deferido o corpo volta a estaca zero e é necessária toda uma nova preparação para um novo golpe. Reação:


             Essa técnica consiste em perceber corretamente os movimentos do oponente e conscientemente adotar técnicas apropriadas para o combate. Essa técnica, a principio, consiste em reflexo, o que dá autoconfiança ao karateca, pois ele não tem que pensar no que fazer, quando essa técnica estiver bem dominada, ela fluirá automaticamente.


    Caio Ribeiro de Souza - Koga Kai Sensei - 2º kyu

    Utilidades do Karate


    Defesa Pessoal:


             O karate é um método eficiente de defesa pessoal, na qual braços e pernas são treinados sistematicamente, de modo que possibilite ao lutador de karate se defender de qualquer tipo inimigo.


             Porém, não deve o praticante se precipitar. É muito comum que o principiante de karate, notando seu rápido progresso, seja levado por uma onda de impetuosidade, sentindo a necessidade de por em prática os seus conhecimentos adquiridos. Esta idéia distorcida deve ser sanada a tempo para que não venha a afastá-lo do real objetivo da arte.


             A prática do karate é um caminho longo e requer anos de muita dedicação. A experiência mostrará que antecipar e evitar são atitudes mais sábias do que o confronto físico em si.


             Por isso, o treinamento do karate como defesa pessoal se divide em três etapas:


  • Percepção (captar a intenção do adversário);
  • Reação (decidir a atitude a ser tomada);
  • Ação (execução);

  •          Este tipo de treinamento permite ao praticante, numa situação de perigo, fazer uma real avaliação da causa, discernir o melhor modo de agir, e tomar uma atitude consciente.


             O verdadeiro valor do karate não está em sobrepujar os outros pela força física. Nesta arte marcial não existe agressão na sua extensão, e sim nobreza de espírito, domínio da agressividade, modéstia e perseverança. Mas, quando for necessário, fazer a coragem de enfrentar milhões de adversários vibrar no seu interior. Saúde:


             Entende-se como "saúde" o bem-estar físico, mental e espiritual do ser humano, e não somente o estado de "ausência de doenças". O karate é tido como um vetor de saúde, pois proporciona ao seu praticante:


    Aptidão física total:


  • Força
  • Resistência
  • Razoável flexibilidade articular
  • Sistema cardiovascular com bom nível de capacidade aeróbica

  • Adequação psico-social:


  • Desenvolvimento moral
  • Sensação de bem-estar
  • Redução dos níveis de ansiedade
  • Auto estima
  • Melhora da imagem física de si mesmo
  • Auto conhecimento

  • Os Benefícios da Prática Correta:


    Muitos são os benefícios que podem ser obtidos da prática correta do karate e aqui passamos a enumerar alguns deles:


  • Manutenção da saúde e fortalecimento do físico.
  • Estímulo à coragem para enfrentar obstáculos.
  • Respeito aos outros, bons costumes em relação ao meio ambiente, equilíbrio, boa postura e respiração correta, que são estimulados pelos rituais tradicionais.
  • Incentivo ao aperfeiçoamento pessoal no sentido de tentar vencer os próprios limites, como os do medo, da desconfiança, da preguiça, da indecisão, etc.
  • Empenho e dedicação, exigindo o máximo do corpo e da mente, treinando com paciência e perseverança até fazer desses objetivos um hábito.
  • Estabilidade emocional. A situação de luta colabora eficazmente para sua conquista. Qualquer descontrole de emoções tem imediata repercussão no rendimento e na performance. Por isso é preciso dedicar-se com empenho, para conseguir a necessária serenidade.

  • O Karate na Educação e Formação da Criança:


             No mundo de hoje, valores como disciplina, respeito e companheirismo são muitas vezes deixados de lado. Pai e mãe freqüentemente trabalham e, às vezes, não têm condições de ajudar a construir estes valores na criança por não estarem sempre em contato com os filhos que, normalmente, passam seus dias em frente de uma televisão ou em contato com companhias inadequadas. Além disso, as escolas geralmente priorizam o aspecto intelectual, dando menos ênfase aos fundamentos da educação moral cujos ensinamentos estão voltados para o comportamento disciplinar e social.


             A prática do Karate sob a orientação de instrutores qualificados trará benefícios inestimáveis para a criança, pois se ela for bem orientada e motivada, será um grande passo para se evitar o aparecimento de certos vícios (como o uso de drogas, por exemplo) nocivos à saúde.


             Nesse sentido, podemos dizer que a prática correta do Karate auxilia enormemente na educação, formação e desenvolvimento da criança. Ela aprende a respeitar, prestar atenção e a se relacionar com os outros. Com relação ao aspecto físico, ela estará sempre se exercitando, o que proporcionará um melhor desenvolvimento corporal, contribuindo para uma vida saudável em todos os aspectos.


    Caio Ribeiro de Souza - Koga Kai Sensei - 2º kyu

    Kumite/Kata


    A Competição no Karate:


             As competições não são o objetivo final do karate. Elas são um meio para que o praticante faça sua auto avaliação técnica e emocional. Não importa que o indivíduo ganhe ou perca, o relevante é o seu crescimento como praticante e como pessoa.


             O que se analisa e se exige dos lutadores em uma competição de karate é a eficiência na execução dos movimentos, ou seja, a dinâmica corporal utilizada para se aplicar os golpes, e não tão somente a velocidade ou o contato. Isso exige um grande domínio físico (postura, força) e mental (kime, zanshin) por parte do lutador. "Perder-se na beleza dos movimentos ou apenas buscar pontos numa luta não levam à perfeição!" (Nakayama).


             Por isso, numa competição de karate não existe divisão de pesos. O lutador cujo físico é pequeno poderá vencer o grande, se for treinado de maneira correta. Ele deverá estar preparado para enfrentar qualquer adversário, seja qual for o seu tamanho.


  • Kata - execução de seqüências pré-determinadas de defesa e ataque, com aplicações (para equipes).
  • Kumite - combate individual ou por equipes.
  • Enbu - teatro marcial; aplicação dinâmica das técnicas de karate (em duplas).
  • Fuku go - disputa individual que engloba Kata e Kumite(alternando a cada rodada).

  • Kumite:


             É o combate propriamente dito, onde as técnicas apreendidas no KIHON são aplicadas de forma livre e espontânea, sempre seguindo as regras que norteiam o Kumite. Dentro do dele encontramos duas modalidades: Shiai Kumite e Jiu Kumite.


             Shiai Kumite é caracterizado pela vitória por pontos, os quais são representados pelo YPOM – Ponto perfeito (vale 01 ponto), e o WAZARY (0,5 ponto). Aquele que atinge 03 pontos é declarado o vencedor.


             Jiu Kumite é caracterizado pelo combate sem contagem de pontos, a luta continua até a derrota ou desistência de um dos lutadores.


             Kihon são as técnicas básicas do karate envolvendo os movimentos de ataque e defesa, utilizando tanto as mãos quantos os pés, alicerçados em suas bases fundamentais: o zenkutzu dachi, o kiba dachi e Kolkutsu dachi.


    Kata:


             O Karate começa com o kata, prossegue com o kata e culmina com o kata.


             Iniciar o treinamento do kata sempre com uma defesa parece uma ação de pouca coragem para um lutador, mas possui um profundo significado de respeito em relação ao próximo. Além disso, acreditasse que conhecendo bem as técnicas de defesa podemos transformá-las em ataque, e se a defesa é forte, o ataque será forte também.


             Parece certo que a maioria dos kata teve origem na China e migraram para Okinawa juntamente com as delegações chinesas que representavam o governo chinês na ilha uma vez que a cultura Chinesa sempre foi muito fértil ao lidar com a transmissão de sistemas de combate através se seqüências de movimentos predeterminados que deveriam ser repetidos para desenvolvimento das qualidades físicas para domínio de determinada técnica de luta ou técnica de respiração, até porque existia o pensamento de que a ginástica pura e simples não conseguia motivar ninguém por muito tempo.


             Os Kata, assim, representam um ponto de consulta em torno do qual a habilidade se desenvolve, mas que não tem sentido em si mesmo e foram criados para conter as técnicas de combate de um determinado mestre ou grupo de mestres de determinada escola na busca do aperfeiçoamento de técnicas novas. E assim reúnem todo conhecimento e toda a beleza do karatê.


             Os diferentes kata definem os estilos de karate, sendo que cada um deles tem os seus e os organiza dentro das suas graduações da forma que quiser, isso ocorre, pois, muitos estilos existem, só porque um determinado professor não tinha habilidade para executar um kata de um modo e entendia que deveria ser de outro modo. Isto é algo que o próprio Gichin Funakoshi fez (porém ele próprio não reconhecia o Kata que ele tinha criado). Por isso, apesar de existirem muitos Kata, só 56 são reconhecidos, os outros são considerados variações.


             Os Kata são um meio importante de se definir o nível de um praticante de karate, pois quanto maior for o domínio sobre os Kata, independente da quantidade, melhor será o Karateca.


             Os seguintes elementos devem ser verificados na prática do kata:


    1. Conhecimento sobre o kata na sua história e objetivos.
    2. A seqüência correta de movimentos e as aplicações possíveis de cada um deles.
    3. A correta aplicação da força muscular (KIME).
    4. A correta respiração (IBUKI).
    5. Deve-se começar e terminar o Kata na mesma posição.
    6. O ritmo adequado dos movimentos.
    7. A aplicação correta dos KIAI.
    8. A firmeza nas bases.
    9. A força de concentração de seu espírito sobre o do adversário (zanshin).
    10. Deve-se ter em mente os oponentes vindo de todas as direções.
    11. Deve-se cumprimentar antes e depois da execução do kata.


    O Kata do Estilo Shotokan:


             O estilo Shotokan tem 26 kata, inicia-se com cinco kata básicos, os HEIAN, que têm como objetivo fazer com que o praticante adquira habilidade sobre as principais técnicas básicas. Deve-se treinar HEIAN até que essas técnicas sejam assimiladas e passem a ser executadas de forma natural.


             Depois vem a série TEKKI, com três kata. Os kata TEKKI se caracterizam pela base KIBA-DACHI (base do cavaleiro), e todos os deslocamentos são para as laterais, ou seja, somente para a direita e para a esquerda. Como os golpes nesses kata não contam com grandes deslocamentos (os golpes são curtos), os TEKKI têm como objetivo o desenvolvimento do KIME, através do treinamento, principalmente, da contração da região sub-abdominal (TANDEN). Essas duas séries juntas, HEIAN e TEKKI, formam os kata básicos do Shotokan, e devem ser dominados por quem pretende obter a graduação SHODAN (faixa-preta 1o. Grau).


             Os outros 18 kata são considerados avançados e, entre eles, existem vários "tipos" de kata. Cada kata possui um objetivo, e dá ênfase a um determinado tipo de treinamento. Existem kata, por exemplo, que têm como objetivo o desenvolvimento de agilidade (como o ENPI), desenvolvimento de contração/expansão muscular (como o HANGETSU), desenvolvimento de uma base firme (como o SOCHIN), etc...


             Abaixo segue uma tabela com todos os kata do estilo shotokan organizados na mesma seqüência em que são ensinados por esta escola, o seu kanji, e o seu significado.


    HEIAN SHODANPaz e tranqüilidade - 1
    HEIAN NIDANPaz e tranqüilidade - 2
    HEIAN SANDANPaz e tranqüilidade - 3
    HEIAN YONDANPaz e tranqüilidade - 4
    HEIAN GODANPaz e tranqüilidade - 5
    TEKKI SHODANCavaleiro de ferro - 1
    TEKKI NIDANCavaleiro de ferro - 2
    TEKKI NIDANCavaleiro de ferro - 3
    BASSAI DAÍRomper a fortaleza
    KANKU DAÍContemplar o céu
    JITTEDez mãos
    HANGETSUMeia lua
    ENPIVôo da Andorinha
    GANKAKUGrou sobre a rocha
    JIONAmor e gratidão
    BASSAI SHORomper a fortaleza
    KANKU SHOContemplar o céu
    CHINTEMãos estranhas
    UNSUMãos de nuvens
    SOCHINEspírito inabalável
    NIJUSHIHO24 passos
    GOJUSHIHO DAI54 passos
    GOJUSHIHO SHO54 passos
    MEIKYOEspelho limpo
    JIINAmor e proteção
    WANKANCoroa real

             A seguir estão algumas características de quase todos os Kata e a importância que cada tem no treinamento de um karateca, ou seja, qual a função desempenhada por cada kata no aprimoramento das técnicas do seu praticante.


    HEIAN SHODAN

             Neste kata, as técnicas são o bloqueio superior contra o ataque à cabeça e o bloqueio com a mão em espada contra o ataque ao meio do corpo (chudan shuto uke). Como este é o primeiro kata a ser aprendido, é importante treiná-lo em movimentos com os pés e seguindo a linha de atuação. Em particular, objetive o domínio da posição frontal e dorsal, enquanto se familiarizar com os aspectos essenciais do soco direto, de arremesso.
    Linha de atuação é em forma de I;
    Movimentos: 21;
    Tempo necessário: cerca de 40 segundos.


    HEIAN NIDAN

             Este é o treinamento do chute lateral e do chute frontal. Mudar de direção ao executar um chute lateral é um ponto especial a ser aprendido.
    Linha de atuação é em forma de I;
    Movimentos: 26;
    Tempo necessário: cerca de 40 segundos.


    HEIAN SANDAN

             O domínio do bloqueio com o antebraço, contra o ataque ao corpo, é o principal objetivo. Com o cotovelo totalmente dobrado, aprenda a posicioná-lo cerca de uma mão de distância do corpo com segurança. Bloqueio com o cotovelo e contra-ataque com um golpe de punho dorsal ou golpe com o cotovelo: a partir desse kata, a pessoa pode compreender o grande valor dessa técnica fundamental.
    Linha de atuação é em forma de T;
    Movimentos: 20;
    Tempo necessário: cerca de 40 segundos.


    HEIAN YODAN

             Várias técnicas de bloqueio e arremate podem ser aprendidas com esse kata; por exemplo, saltar levemente para frente para um golpe semicircular vertical, com o dorso do punho, depois de ter realizado um chute frontal. Para fazer isso, é preciso que se tenha ótimo equilíbrio na posição de pés cruzados (kosa-dachi).
    Linha de atuação é em forma de I, mas com a linha vertical estendendo-se acima da linha horizontal superior;
    Movimentos: 27;
    Tempo necessário: cerca de 50 segundos.


    HEIAN GODAN

             Neste kata, é usada uma postura especial do antebraço: a postura da águas corrente (mizu-nagare). Este kata é usado para golpear. Não se esqueça de que antebraço e tórax devem ficar paralelos. É importante dominar o equilíbrio, como ao assumir a postura de pernas cruzadas ao aterrissar de um salto.
    Linha de atuação é em forma de T;
    Movimentos: 23;
    Tempo necessário: cerca de 50 segundos.


    TEKKI SHODAN

             A posição é a de quem monta a cavalo, e é importante que seja forte e estável. A atitude da pessoa também deve ser de determinação. Para essas técnicas especiais de chutes, como o chute "onda que retorna" (nami-gaeshi), os quadris precisam estar bem posicionados.
    Linha de atuação é em linha reta;
    Movimentos: 29;
    Tempo necessário: cerca de 50 segundos.


    TEKKI NIDAN

             Um bloqueio para baixo e para o lado pode ser muito fortalecido colocando-se a mão do outro braço contra o cotovelo do braço que bloqueia. Faça uma distinção clara entre o bloqueio com agarro e o bloqueio com gancho.
    Linha de atuação é em linha reta;
    Movimentos: 24;
    Tempo necessário: cerca de 50 segundos.


    TEKKI SANDAN

             Com este kata pode-se aprender os pontos chaves do bloqueio contínuo de nível intermediário. Não importa quão rápido seja o desempenho, a posição deve ser de força e firmeza, como nos outros kata Tekki.
    Linha de atuação é em linha reta;
    Movimentos: 36;
    Tempo necessário: cerca de 50 segundos.


    BASSAI

             Impetuosidade, espírito forte e força exuberante estão manifestadas neste kata. É como se a pessoa estivesse conquistando a fortaleza de um inimigo. O karateca deve saber como transformar a desvantagem em vantagem. Bloqueios giratórios e uso correto da força são maneiras possíveis.
    Linha de atuação é em forma de T;
    Movimentos: 42;
    Tempo necessário: cerca de 01 minuto.


    KANKU

             Imagine que esta sendo cercado de inimigos por todos os lados. Técnicas rápidas e técnicas lentas, técnicas executadas com força ou suavidade, estiramento e contração do corpo, salto e agachamento, esses são os pontos deste kata.


    JITTE

             Os movimentos neste kata são numerosos, ousados e firmes, e podem ser executados segurando um bastão. Ele é apropriado para o uso efetivo dos quadris e para bloquear um ataque com bastão.
    Linha de atuação é em forma de cruz;
    Movimentos: 24;
    Tempo necessário: cerca de 01 minuto.


    HANGETSU

             Os movimentos para frente e para trás, e os movimentos semicirculares dos braços e pernas, são coordenados com a respiração. Técnicas rápidas e lentas e deslizamento dos pés são pontos especiais a serem aprendidos.
    Linha de atuação é em forma de cruz;
    Movimentos: 41;
    Tempo necessário: cerca de 01 minuto.


    EMPI

             Como o vôo da andorinha, este kata tem posições altas e baixas, leves e facilmente executadas. É ótimo para praticar a rápida inversão das posições do corpo.
    Linha de atuação é em forma T;
    Movimentos: 37;
    Tempo necessário: cerca de 01 minuto.


    GANKAKU

             Os movimentos deste kata lembram um grou apoiado sobre um pé em cima de uma rocha, pronto para lançar-se sobre sua presa. O equilíbrio sobre uma perna só, o chute lateral e o chute com o dorso do pé podem ser devidamente desenvolvidos pela prática deste kata.
    Linha de atuação é em linha reta;
    Movimentos: 42;
    Tempo necessário: cerca de 01 minuto.


    JION

             Nos movimentos calmos, suaves e harmoniosos deste kata encontra-se um feroz espírito de luta. Ele é apropriado para a aprendizagem de pontos como o deslizamento dos pés, a mudança de posição e o giro.
    Linha de atuação é em forma de I;
    Movimentos: 47;
    Tempo necessário: cerca de 01 minuto


    BASSAI-SHO

             O significado é igual ao bassai-dai, porém sho poderá significar que existem técnicas escondidas em relação ao dai.
    Movimentos: 29;


    KANKU-SHO

             Kan significa contemplar e compreender algo mais como um artista. Kuu, kara ou vazio pode significar o universo. Dai significa grande e sho significa pequeno, mas é possível interpretar uma dualidade, mundo exterior e mundo interior. Características: Aprender defesa, contra-ataque de bastão e agarramentos como defesa pessoal; estudo de como imobilizar o adversário e puxar.
    Movimentos: 47;


    CHINTÊ

             Características: Há um ensinamento específico desse kata - mesmo quem tem um corpo frágil consegue defender-se contra um adversário mais forte, expressão das ondas do mar (representando serenidade e tranqüilidade das águas ao retornar da praia ao mar) ou expressão da natureza contrastando ação e calmaria. Objetivos: Mudança de sochim-dachi para zenkutsu-dachi e guiaku-zuki em forma de tate-ken; ataque nos olhos com nihon nukite de forma ague zuki, tangenciando corpo nasal, e eficiente técnica de defesa pessoal.
    Movimentos: 33;


    UNSU

             Características: Capacidade de reagir a qualquer tipo de acontecimento. Destina-se a karatecas de alto nível, principalmente àqueles que dominam todos os 15 kata básicos (alguns desses kata não fazem parte do estilo shotokan).
    Objetivos: Principalmente desenvolver velocidade e agilidade, domínio das três essências no kata (alternância de velocidade, domínio de força e suavidade, compressão e expansão do corpo).
    Movimentos: 53;


    SOCHIM

             Características: É uma expressão de energia como um vendaval, domínio caracterizado pelo sochim-dachi e domínio de estabilidade, soma de zenkutsu-dachi com kiba-dachi (zenkutsu-dachi forte frontalmente, e kiba-dachi é forte lateralmente); contração silenciosa e gradativa dos músculos e ao mesmo tempo explosão rápida e contração; domínio do sochim-dachi, principalmente com forte expansão dos joelhos como o arco e flecha.
    Movimentos: 36;


    NIJUSHIHO

             Características: Há duas grandes características: fluência como correnteza de água e explosão seguida de força, suavidade e alternância de velocidade (lento e rápido). Objetivos: (1º ao 3º momento) trabalho fluente que expressa correnteza de água, principalmente no 1º momento, ajustar velocidade do adversário, desviando a energia; no 2º momento realizar uma explosão e no 3º aproveitar essa energia de explosão transformando em energia de compressão.
    Movimentos: 34;


    GOJUSHIHO-DAI

             Características: Exige movimentação harmoniosa utilizando a energia do solo em neko-ashi, portanto exige muito equilíbrio e giro do corpo, domínio de keitô uke (cabeça de galo) e contra ataque utilizando-se da energia do corpo em deslocamento e de cima para baixo. Considerado kata avançado exige alto domínio de qualidade técnica.
    Movimentos: 62;


    GOJUSHIHO-SHO

             Características: Transformação de gojushiho-dai, kata que representa defesa contra ataque de bastão, transforma sua mão em uma espada, aplica-se defesa segura conjugada com eficiente contra ataque. Kata cujo treino é recomendado para aquele que domina as técnicas de karate com maturidade.
    Movimentos: 65;


    MEYKYO

             Características: Defesa contra bastão e salto triangular, que é considerada técnica lendária (sankaku-tobi). São extraídas todas as bases do kata heians, exigindo como espelho limpo o estado de serenidade, transforma estado de desvantagem em vantagem; para domínio desse kata exige-se alto domínio técnico.
    Movimentos: 33;


    WANKAN

             Características: Explorar o kyo (falha física ou mental) do adversário. Esse kata tem pouco número de passos e os movimentos são discretos, portanto é considerado um kata de muita dificuldade para expressar as três essências do kata.
    Movimentos: 16;


    JIIN

             Características: Provavelmente tem origem de tomari-te, e seu antigo nome era shokyo. Pertence ao mesmo grupo do Jitte e Jion. Não é um kata muito praticado e Funakoshi ensinou pouco a seus alunos, mas exige alto nível de estudo.
    Movimentos: 34


    Caio Ribeiro de Souza - Koga Kai Sensei - 2º kyu

    Faixas


             Assim como a organização dos kata, as faixas são dispostas de maneira diferente em cada estilo de Karate, porém estas ainda podem apresentar uma outra variação. Da mesma maneira que uma determinada escola reconhecia ou não um kata e podia mudar a ordem em que eles são ensinados, as graduações também podem variar de acordo com o estilo. Além disso, a outra variação que as faixas podem apresentar é o tempo que se leva para chegar ao próximo nível de treinamento.


             Como aqui estamos apresentando o estilo shotokan, segue abaixo a relação das faixas na devida ordem e ao lado de cada um delas está o tempo mínimo de treino necessário para prestar exame e chegar ao nível seguinte.


    BrancaInício
    Amarela 3 meses
    Vermelha 3 meses
    Laranja 3 meses
    Verde 4 meses
    Roxa 6 meses
    Marrom 9 meses
    Preta 1°Dan "Instrutor" 1 ano e 6 meses
    Preta 2°Dan "Sensei" Tempo Inderteminado
    Preta 3°Dan "Shi-Han" Tempo Inderteminado


    Caio Ribeiro de Souza - Koga Kai Sensei - 2º kyu

    JKA/NKK


             A Associação Japonesa de Karate pensa que é um dever espalhar e cultivar Karate-Do ao redor do mundo de um modo uniforme. A Associação foi permitida pelo departamento japonês de Educação em 10 de abril de 1958 para agir como o funcionário do Karate-Do em companhia Incorporada.


    Treinamento:


             Japão Karate Associação tem treinado e espalhado Karate-Do desde maio de 1948. Desde então treinou especialistas que têm que terminar um certo curso educacional. A idéia de Educação para construir caráter pelo treinamento duro é determinada pela confiança e valor alto. Mais de 20 especialistas estão trabalhando no escritório. Eles não só treinam aprendizes no mundo inteiro, mas também enviam times de treinadores a outros países. Esta associação é a organização maior de Karate-Do, e estes métodos produziram o estilo mais hábil e forte no mundo.


    Torneio Internacional:


             Japan Karate Association assegura um torneio internacional todos os anos. O primeiro torneio de Karate-Do aconteceu em Tóquio em outubro de 1958, desde então, Karate-Do se espalhou pelo mundo inteiro muito rapidamente, e que o Imperador do próprio Japão veio ver o quinto torneio.


    Torneio para formar crianças de escola secundária:

             Desde que a 26ª associação de torneio separou jovens de 6 a 18 anos de idade dos adultos em competição, mais de 2 mil jovens especialmente selecionados de áreas nacionais se juntaram a komawaza, Ginásio de parque Olímpico em agosto de 1997.


    Torneio Mundial:


             A associação assegura um torneio internacional, bi-anual assistido por mais de 801 países. O torneio está baseado nas idéias do fundador da JKA, Gichin Funakoshi que pensava que isso contribuiria para a paz mundial e ajudaria a espalhar Karate-Do ao redor do mundo. O Estilo assistido são dos representantes do mundo mais forte de Karatê-Dô e embora de diferentes nacionalidades, assegura o espírito de vida de Funakoshi no campo que o Karate-Do vem treinando.


    Expansão, Instrução e Amizade Internacionais:


             Obviamente que a JKA fez uma contribuição enorme para a expansão de Karate-Do. Hoje a associação tem 1000 dojos domésticos e dojos em 78 países. Além disso, durante os últimos 40 anos a JKA enviou mais de 200 instrutores ultramarinos, o qual permitiu ampliar a popularidade do Karate-Do no mundo inteiro. Os livros KARATE-DO KYOHAN escrito por Mestre Gichin Funakoshi e MELHOR KARATE por Masatoshi Nakayama, ambos sido traduzido em 7 idiomas diferentes por Kodansha Internacional, vendeu mais de 1.500.000 cópias mundial.


             Em 1957 o governo japonês reconheceu a JKA como a única organização de Karate-Do sem lucro e isto permanece assim até hoje. A associação produziu muitos instrutores profissionais que completaram o curso de treinamento especial administrado pela JKA, e fazendo assim, estabeleceu uma base firme como uma organização principal mundial desde sua fundação.


             Sua filosofia educacional que é construir para cima o caráter de cada indivíduo por treina-lo diariamente, ganhou uma grande reputação. Suas idéias influenciaram e educaram jovens consideravelmente, não só no Japão, mas em outros países. O Karate-Do foi adotado no currículo de educação escolar público no Japão. Hoje cerca de 1.500 instrutores oficiais são karatecas pedagógicos no mundo inteiro. Não há nenhuma dúvida que o Karate-Do, como um parte complicada de cultura japonesa, tem executado um papel diplomático importante. O Ministério das relações exteriores enviou a “Japan Missions” ao estrangeiro, muitas vezes cujos membros eram os instrutores de Karate-Do da JKA.


             Também é de responsabilidade da JKA para dar demonstrações de Karate-Do toda vez que estrangeiros convidados vêm para o Japão. As atividades de JOCV (Japão Cooperação Ultramarina Voluntários) cobriu 25 anos. O número de instrutores ultramarinos tem subido a mais de 200. Eles deram instrução de qualidade alta e isso contribuiu para a formação de relações fortes entre o Japão e outros países. O dojo principal é situado em Tóquio. Estudantes no mundo inteiro vão treinar lá com professores avançados.


    Caio Ribeiro de Souza - Koga Kai Sensei - 2º kyu

    História da JKA


    1948Organizada a Japan Karate Organization
    Gichin Funakoshi assumiu a Japan Karate Association
    1949Estabelecimento da JKA que tem como primeiro presidente Saigo Kichinosuke
    1953Despacham o primeiro introdutor do Karate-do no estrangeiro
    1955Estabelecimento do Dojo em Tókio
    1956Primeira entrada de Kenshusei
    1957Primeiro campeonato de Karate no Japão
    Reconhecimento recebido do Ministério da Educação
    Falecimento do mestre Funakoshi aos 88 anos de idade
    Presidência passa para Yamazaki Iwao
    1958Masatoshi Nakayama assume a JKA
    1959Presidência passa para Masutane Shuji
    1961Demonstração por ocasião dos 60º anos do Imperador
    1964Excursão de instrução de Karate-Do mundial
    1965Despacham primeiro de instrutor de JOCV
    1966Presidência passa para TANAKA Kakuei
    1970Primeiro Campeonato de Karatê-Dô Mundial
    1972Presidência passa para KOSAKA Zentaro
    1981Primeira missão de Artes Marcial no estrangeiro
    1983Presidência passa para IIZUKA Takeshi
    1986Presidência passa para NAKAHARA Nobuyuki
    1987Falecimento do Mestre Masatoshi NAKAYAMA aos 74 anos
    1989Presidência passa para MATSUNO Raizo
    1990É dado o direito ao “Grupo de Asai” de usar legalmente a marca registrada da JKA e NKK por meio de um processo que foi arquivado.
    1992Hastukuni SUGIURA assumiu o topo da JKA.
    1994É oficialmente autorizada pelo Ministério da Educação Japonesa. A Japan Karate Association em 1994 anunciou a formação da Federação Mundial da JKA para estabelecer ajuda e assistência entre TODAS as nações através do Karatê-Dô
    Presidência passa para YAMAMOTO Yohji
    1999O processo que legitimou o “Grupo de Asai” para usar legalmente a marca registrada da JKA é reaberto e fica decidido que a partir de agora os direitos pertencem ao Grupo de Nakahara.

    Caio Ribeiro de Souza - Koga Kai Sensei - 2º kyu

    Kiai


             O kiai é uma técnica como um soco ou chute, mas não é tão físico. Um kiai é executado exalando-se rapidamente o ar dos pulmões e ao mesmo tempo fazendo um som monossilábico. "AI", "RAI" e "II" são bons sons para serem usados para kiai. Você quer que o seu kiai seja curto e tão alto quanto possível, porém o kiai não deve ser confundido com um simples grito. Um kiai bem executado não fará sua garganta sentir-se áspera como um grito faz. Quando feito corretamente, o kiai faz três coisas:


    1. Ele limpa o ar de seus pulmões. Isso é bom, porque se você for barrado após executar o kiai, as chances de "ter o ar comprimido para fora de você" são bastante reduzidas. Também por tirar o ar dos pulmões faz de você um alvo mais forte e denso. E se você for acertado depois do kiai não será tão machucado.


    2. Ele deve assustar seu oponente. Mesmo uma simples pausa ou um piscar de olhos do seu oponente podem abrir uma brecha para você. Use o kiai para ajudar a abrir esta entrada.


    3. Ele deve "irritar" a você mesmo. Pense nele como uma conversa consigo mesmo antes da grande luta. O kiai deve liberar a sua adrenalina.


             O Kiai é geralmente definido como um estranho poder adquirido por algumas pessoas envolvidas por forças místicas inexplicáveis. Contam-se histórias de homens que podiam paralisar ou mesmo matar pequenos animais com um grito de Kiai, ou parar o adversário com um kiai apenas. Talvez, se você faz Karate e tem um Kiai forte você é capaz de matar uma barata, desde que ela esteja muito próxima de seu grito, não mais, a não ser que você seja um ninja ou alguma coisa parecida.


             Na verdade o Kiai é o uso consciente de uma técnica que todos nós já usamos inconscientemente. Por exemplo, quando você contrai o abdômen quando está levantando algum peso e emite um grunhido, é uma forma rudimentar de Kiai. Treinando kiai você vai estar aprendendo a usar de modo mais eficiente seu potencial de energia vital, que é o Ki.


             Primeiramente há uma preparação para a ação que é física e mental e então uma concentração de poder que também é física e mental. As duas fases do Kiai são o ratesamento e o impulso. A fase de ratesamento consiste na contração dos músculos abdominais e inspiração profunda, assim como o cérebro é o quartel-general das atividades mentais, o abdômen é o quartel-general das atividades físicas. A contração dos músculos abdominais prepara o corpo para um surto de energia. A inspiração profunda enriquece a corrente sanguínea do oxigênio, indispensável para o organismo que vai depender dessa energia adicional. A segunda fase é o impulso, nesta fase a ação essencial é levada a termo (a ação de levantar, atirar, empurrar ou desferir o golpe), enquanto o ar é espirado bruscamente. A expiração pode ser acompanhada por um grito, o kiai, que tem um som mais ou menos assim: "eei", "hum", "iahh", "aai".


             O som produz dois efeitos psicológicos, assusta e desconcerta o adversário e aumenta sua coragem. Qualquer som pode ser usado como Kiai, muitas vezes o som "Ki" é usado durante a preparação para o golpe e o som "ai" durante a execução. Com o treinamento é possível concentrar a energia onde ela é mais necessária, ao invés de espalhá-la pelo o corpo. Isto envolve concentração física e mental que canaliza a energia para regiões definidas do corpo. Você a princípio não é capaz de conseguir isso, mas com o passar do tempo, sua capacidade de concentração aumentará cada vez mais.


    Caio Ribeiro de Souza - Koga Kai Sensei - 2º kyu

             No final do século XIX, no Japão, surge o Kendo , uma evolução natural da arte japonesa de combate com a espada (Kenjutsu) . A história do Kendo moderno (caminho da espada) desenvolveu-se junto com a história do Japão, cujas fases passadas por esse país influenciaram não somente no desenvolvimento, mas também na transição do Kenjutsu (técnica da espada) para o Kendo.


             Durante o século X ao XIII o Japão sofreu transformações de ordem política, social e econômica , cujos fatores deram origem a ascensão do domínio das classe sociais dos guerreiros, denominados Samurai ou Bushi , que sofreram influencias das religiões já existentes, criando o Bushido, um código de conduta que é utilizado até hoje.


             O Bushido baseia-se nos princípios morais dos guerreiros, ou seja, os conceitos de cavalheirismo da obrigação da classe guerreira, que devem ser postos em prática não só em seu dia-a-dia, mas também em sua profissão. Constitui-se de um código sem registros escritos ou enunciados, que resiste através das gerações como "uma poderosa sanção de uma lei escrita nas fibras do coração". Desenvolveu-se como resultado de séculos de experiência militar, e não como obra de um único personagem. As filosofias Budista, Xitoísta, e Confucionista foram as principais fontes do Bushido.


             No início do período Edo (1600), acabam-se as guerras entre os feudos devido a unificação do Japão pelo Shogun Tokugawa Ieyasu. A classe de guerreiros perde seu sentido prático, gerando assim, um grande número de Samurais desempregados ou sem mestre, levando-os ao encontro de novas tarefas como o comércio e artesanato, contudo alguns não esqueceram de suas origens e continuaram aprimorando suas técnicas praticando a arte da espada.


             Houve também os que sobreviveram lesionando o Kenjutsu em escolas (Ryu), além dos que preferiram o mundo do crime como assassinos e ladrões, originando a máfia japonesa atual, a Yakusa.


             Com o passar dos anos, o número de escolas aumentou, e começaram a surgir duelos entre diferentes escolas com a finalidade de verificar se as técnicas eram realmente eficientes terminando, muitas vezes, com o morte do perdedor . Miyamoto Musashi.(fundador da escola Nitten) foi um samurai de grande prestígio durante essa época.


             Após a 2ª Guerra Mundial, surge o Kendo moderno. Com a derrota do Japão, os Estados Unidos impôs a proibição da prática dos estilos tradicionais de Bokudo. A medida visava diminuir o nacionalismo nipônico.


             Depois de sete anos de proibição, o Kendo surge com a criação da All Japan Kendo Federation (AJKF) em 1952 e, mais tarde, da International Kendo Federation (IKF) em 1970. Designa-se então um comitê que re-elaboraria o Kendo , moldando-o como um esporte moderno como o basquete, basebol ou futebol.


             Em 1871, a prática do Kendo tornou-se obrigatória em todas as escolas públicas e privadas do Japão. Embora o fato das escolas não mais prepararem guerreiros para a guerra, a maioria dos praticantes saíam feridos dos treinos, nos quais eram usadas espadas de madeira (Boken ou Bokudo).


             No princípio do século XVIII começam as discussões sobre a qualidade dos utensílios protetores usados pelos Kendokas, criando assim, o bogu, armadura utilizada atualmente no Kendo e no Kenjutsu, desenvolvida a partir da clássica armadura usada pelos samurais.


             O processo de criação foi vagaroso e gradual. As primeiras armaduras eram rígidas e pesadas, dificultando os movimentos. Após algum tempo, o bogu é produzido hoje com alta tecnologia , facilitando a movimentação.


    O bogu é composto por quatro partes principais:


  • Men (helmo)
  • Kotê (protetor de mão e ante braço)
  • Dô (protetor do abdômen)
  • Tarê (protetor de coxa e virilha)

  • Foto retirada do site www.kendo-usa.org


    Men


             Protege o topo da cabeça, o rosto , os ombros, e a garganta. A grade serve de proteção para os golpes desencontrados que atingem o rosto. A proteção dos ombros é importante pois alguns golpes são desviados e acertam essa região. O Kendo apresenta os seguintes golpes válidos para o Men: O Sho Men Uchi, que baseia-se em um corte de cima para baixo na parte superior da cabeça, Tsuki, que é uma estocada na garganta.


    Kotê


             Protege as mãos e os antebraços ,e permite o movimento dos dedos para segurar o shinai com maior firmeza. Um dos golpes básicos visando o antebraço é o Kote Uchi.



             Protege o externo (quando o Tsuki, ataque a garaganta, é desviado e atinge essa região) e o tronco , um dos golpes que visam esse local é chamado Dô Uchi, que deve acertar a região abdominal lateralmente.


    Tarê


             Protege as coxas e a virilha de golpes errados , que visam, na maioria das vezes, o Dô. Serve apenas para proteger os praticantes de pancadas nesses locais, pois não há nenhum golpe que acerte propositadamente o Tarê. Foi projetado através do kusazuri (proteção para coxas) da clássica armadura samurai.


    Shinai


             É a espada utilizada pelos praticantes do Kendo, composta de bambu ou fibra de carbono. A vantagem de usar o Shinai ao invés do Bokuto ( espada de madeira sólida ) é que o Shinai é mais flexível e impede um ferimento mais sério quando a pancada é muito forte. Assim como a espada do samurai, o Shinai é considerado a alma do kendoka.


             O kendoka utiliza três ataques basicamente: men (ataque à cabeça), dô (ataque ao tronco) e o kote (ataque ao pulso). Apesar da simplicidade , não se trata de uma arte marcial pouco elaborada, pelo contrário, há uma busca constante pela perfeição dia após dia, na qual faz parte integrante e indispensável do treino a repetição exaustiva das técnicas base.



    Foto retirada do site www. kendo.or.jp


    Kendo ,Kenjutsu e Esgrima Ocidental


             Na esgrima, as armas (espada, florete ou sabre) são seguradas com uma só mão e o corpo se coloca lateralmente com a finalidade de apresentar o menor alvo possível para o adversário.


             Ao contrário do Ocidente, no Kendo segura-se o sabre com as duas mãos e os combatentes se posicionam de frente um para o outro, visando sempre dar o menor números de golpes, sendo capazes de derrotar o adversário com um único movimento preciso, ágil e definitivo, como era praticado nos treinos de kenjutsu em que dominar as técnicas da espada era questão de sobrevivência.


             Desde o início, quando a luta mudou do combate para o esporte, seu propósito foi mantido o mesmo. Através de um treinamento rigoroso e disciplinado trabalhava-se o corpo , a mente e o espírito. Mantendo os sentimentos de honra e sinceridade.


             O Kendo sofreu influências dos ensinamentos zen-budistas, confucionistas e budistas, que contribuíram para o aperfeiçoamento do caráter moral, espiritual e físico.


             O golpe perfeito é o ippon que funde três características com grande destaque no esporte : O Ki-ken-tai, que reunidos formam o noichi (todos em um). O ki é a alma, o sentimento ou o estado espiritual concentrados e expressos através do grito (kiai). O ken é o movimento e a dominação completa da espada. E o tai é a movimentação e a atitude do corpo do lutador, Kenshi como é chamado.


    Jaqueline Moreira da Costa - Koga Kai Senpai - 6º Kyu

             O Kyudo ou "caminho do arco" não se trilha somente treinando. Como qualquer atividade ligada ao zen, podemos dizer que é também um modo de vida. O treinamento, contudo, pode ser concebido em vários níveis: o primeiro estágio chamado Keiko, que significa praticar, o segundo é o Renshu, que significa treinar e o terceiro, ainda no nível de treinamento, mas adquirindo um caráter espiritual.


             O aluno no primeiro estágio aprende Kata e Wasa, respectivamente, forma, estilo e técnica. Esse estágio exige muita persistência, aliada à paciência e dedicação, pois do contrário o discípulo não conseguirá retesar o arco e lançar a flecha para, em seguida, passar ao treinamento propriamente dito.


             Nesse segundo nível, a pessoa aprenderá Reigi-Saho, que consiste em regras de etiqueta, de conduta e decoro, modos e boas maneiras, oferecendo ao aluno um padrão de comportamento. Entretanto, esses dois níveis de treinamento não são ainda o verdadeiro Kyudo. O principiante está numa fase denominada Toteki, que significa, literalmente, mirar e acertar o alvo.


             Como nessa fase o aluno tem plena consciência do ato de mirar para acertar no alvo, podemos dizer que existe aí uma intenção que provoca uma tensão (em tensão). O corpo expressa essa atitude, com os ombros erguidos e o pescoço inclinado na direção do alvo, transparecendo suas invenções. O movimento é forçado, é pesado e aos trancos. O instrutor tenta alterar esse estado de alerta, aconselhando o aluno a relaxar, ficar ereto e não pensar no alvo.


             A partir daí, o aprendiz passa para o nível seguinte de treinamento, o Tanren, que é se moldar ao reino do espiritual. É exatamente nesse ponto que surgem as questões cruciais - que se referem à quebra do processamento racional - permeadas de muitas dúvidas. Como se pode realmente acertar no alvo sem mirá-lo, como disparar a flecha sem adquirir nenhuma habilidade, entre outras tantas mais que provocam uma verdadeira crise no aluno.


             Mas essa crise é o indicio de que o aluno está passando para o estágio seguinte, o Kanteki, ou o ato de penetrar o alvo com a flecha, num sentido espiritual. É nesse momento que se inicia verdadeiramente o Kyudo. É quando o Kyudoca adquiri a capacidade de olhar para dentro de si, distanciando-se de qualquer preocupação exterior.


             Para prosseguirmos nisso precisamos desenvolver um olho interior. Diferente dos nossos olhos - que servem para ver o que se encontra em seu campo visual - esse novo olhar permite uma percepção muito mais abrangente.


             Nessa fase de Kanteki, quando o aluno já tem consciência da postura corporal e mental, ele atua de acordo com seu ritmo respiratório, essencial para controlar a energia vital ou Ki. Assim, o corpo naturalmente ereto, relaxado e sem tensão nenhuma permite uma introspecção que é própria do espírito. Não há mais interesse pelo disparo da flecha e sim pelo retesamento do arco.


             Entretanto, a consciência do ato de disparar vem junto com o ato de retesar - coisa que não pode ocorrer de forma alguma. É quando se torna necessário mergulhar no ato de retesamento até a exaustão e assim expulsar da mente a idéia de algum alvo, ficando inconsciente no exato momento do disparo. Quando isso acontece o aluno já está em outro estágio, denominado Kai ou encontro, em que é preciso corrigir a postura, a fim de formar o centro perfeito e absoluto de uma cruz ou cruzamento chamado Jimonji. Essa postura marca o encontro e a harmonia de todos os elementos essenciais para uma experiência espiritual bem sucedida.


             A força vertical é criada pela ação contrária da plena exalação dirigida para o Tanden (ponto situado no abdome) e pela concentração de ki (energia) na nuca, ao estender-se para cima. A força horizontal é criada pela harmonia total (Tsuriai) entre os braços durante o retesamento e com a expansão do tórax.


             A harmonia entre essas duas forças, vertical e horizontal, estabelece uma cruz tripla: nos ombros, nos quadris e na base. A unidade entre esses elementos encontra-se nas cinco cruzes.


             Todas essas cruzes posicionadas mostram que o Kyudoca encontra-se em um centro perfeito, tornando-se uno com o arco, a flecha e o alvo. É preciso, contudo, que ele tenha a mente e o sistema respiratório atuando em perfeito acordo com toda essa postura corporal. Assim, podemos dizer que o arqueiro está em harmonia com o universo.


             Evidentemente que não é uma trajetória assim tão simples como nessa descrição. Cada estágio desses é muito trabalhoso e, na verdade, todos eles são etapas que marcam a superação de grandes barreiras pessoais. Portanto, a maior ou menor dificuldade dessas ultrapassagens independe igualmente de maior ou menor domínio da técnica, mas da capacidade de superar os limites pessoais. A caminhada é um processo diferenciado pela vontade, maturidade e determinação de cada um, para que o Kyudo se torne, enfim, um modo de vida.


    Fabiano Candido Marçal - Koga Kai Senpai - 6º Kyu

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